Exposições CCBB: Tecitura do Feminino + MEME

 A visita às exposições do CCBB de Belo Horizonte revelou um diálogo interessante entre diferentes formas de produção artística contemporânea nas mostras “Marlene Barros: Tecitura do Feminino” e “MEME: no Br@sil da memeficação”. Apesar de distintas em linguagem, ambas abordam questões sociais por meio de estratégias visuais e conceituais.

A exposição da Marlene Barros parte de técnicas tradicionalmente associadas ao universo doméstico: como bordado, crochê e costura, para construir uma crítica à invisibilização histórica do trabalho feminino. 

Ao transformar esses elementos em instalações artísticas, a artista ressignifica práticas marginalizadas.



Obras como aquelas que apresentam corpos fragmentados ou tecidos que revelam “interiores” simbolizam a ideia de identidade e expõem questões como cuidado, maternidade, a sobrecarga e a violência contra o corpo feminino. É uma exposição tensa, é literal e através das obras consegue exprimir toda uma história dolorida da mulher. Confesso ter dado pouco espaço para fotografar as obras de Marlene para interpretar e sintir mais suas obras e mensagens.

 Nesse sentido, a exposição atua como um espaço de resistência, onde o fazer manual deixa de ser apenas funcional e passa a ser político e social 






Já a mostra MEME propõe uma abordagem completamente diferente, levando a cultura digital para dentro do museu. Reunindo obras e criadores, a exposição trata o meme não só como entretenimento, mas como linguagem contemporânea capaz de expressar críticas sociais, posicionamentos políticos e construções de identidade coletiva


A organização em núcleos temáticos e o uso de recursos imersivos (como vídeos, instalações e interatividade) reforçam a ideia de que o humor digital é uma ferramenta complexa de comunicação, que atua diretamente na forma como a sociedade interpreta e compartilha a realidade. 

 Além disso, a exposição levanta uma reflexão importante: ao ser deslocado das redes sociais para o museu, o meme ganha status de objeto cultural e histórico.   

Isso evidencia uma tensão entre o caráter efêmero da internet e a tentativa de institucionalização dessas produções, convidando o público a pensar sobre o que define arte na contemporaneidade. Em suma, a exposição, apesar de começar divertida e criativa, ao decorrer os ambientes, é possível sentir como os memes são capazes de construir ambientes cada vez mais críticos e sérios, desde ironizar erros diários até história, relações políticas e saúde mental.

Assim, enquanto Marlene Barros usa o artesanal para discutir memória, corpo e gênero, a exposição dos memes utiliza o digital para refletir sobre comportamento, cultura coletiva. Ambas demonstram como a arte contemporânea amplia seus meios e linguagens para questionar estruturas sociais.

No geral, as exposições apresentam dois extremos, o manual e o digital que, apesar das diferenças, convergem na intenção de dar visibilidade a experiências e narrativas frequentemente negligenciadas.


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